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O PASSADO E O PRESENTE. QUAL SERÁ O FUTURO DO PAÍS?

Publicado em 02/06/2017

Assistir noticiários televisivos, ler jornais escritos ou acompanhar os acontecimentos no Brasil é, de uns tempos para cá, assistir um filme de um só roteiro: denúncias, delações, conchavos e assaltos aos cofres públicos da forma que vemos apenas em filmes sobre a máfia italiana, a famosa "Cosa Nostra".

Leis casuísticas são elaboradas, votadas e passam a vigorar por um certo preço; notícias dão conta de que houve casos nos quais sentenças foram prolatadas por esse ou aquele valor; obras são licitadas com cartas marcadas para uma determinada empresa vencer e isso ao custo de três ou quatro vezes o valor justo do que custariam.

Em oposição a essa bandalheira, surgem algumas pessoas e algumas manifestações populares para frear e punir essas "ervas daninhas".
Nessa oposição, o trabalho desenvolvido em Curitiba tem sido motivo de aplausos no mundo inteiro.

Um trabalho no qual a Polícia, o Ministério Público e o Poder Judiciário indicam que algo pode ser feito, ainda que tenhamos o sistema legislativo e judicial como a raiz do problema. Ou seja, mesmo com esse perverso sistema burocrático brasileiro, é possível fazer algo.

Nesse conjunto de instituições e por razões óbvias, desponta a figura séria e corajosa do juiz Sergio Moro.

E, como a similaridade dos fatos com a "Cosa Nostra" é notória", também é notório e podemos assim afirmar que o juiz Sergio Moro e a equipe de Curitiba muito se assemelha com o juiz Giovanni Falcone e a equipe que com ele trabalhou na Itália quando um grande golpe foi infligido à máfia italiana nos anos oitenta do século passado.

É, realmente, um grande trabalho que enfrenta a grande força política e econômica da alcateia que tomou de assalto os poderes da república.

Nessa mesma vertente, porém com um "modus operandi" diferente, há a outra forma de recolocar o país nos trilhos: a pressão popular através, principalmente, das manifestações de rua.

Entretanto e lamentavelmente, não raras as vezes, essas manifestações têm caráter partidário e os seus dirigentes não estão e nunca estiveram preocupados com o país, exatamente como a classe política brasileira.

Elementos infiltrados, muitas vezes pagos ou orientados para assim proceder, se limitam a atacar a Polícia e a depredar o patrimônio público e privado com o único intuito de aumentar o caos.
Não tem como concordar que atacar a Polícia e vandalizar e destruir o patrimônio seja uma forma aceitável de manifestar-se.

Assim, muitas dessas manifestações acabam desacreditadas em razão dos escusos interesses que existem por trás das suas cortinas e pelos métodos que alguns insistem em aplicar sob o covarde manto do anonimato.

O fato é que o Brasil foi tomado por alcateias que o lotearam e o sugam deixando-o cambaleante e o caos social é a tônica na vida dos seus habitantes.

Surgem, então, várias teorias na tentativa de tirar o país do fundo desse poço que ele foi jogado.

Uma delas discute a necessidade de uma intervenção militar no país. Nessas discussões, nunca se falou tanto do período de 1964 a 1985, época que fomos governados pelos militares.
   
Depoimentos de pessoas em redes sociais exaltam o progresso e a paz social vivida no país pelos cidadãos de bem.

Nas esquinas, calçadas ou em qualquer outro lugar, as conversas dos cidadãos comuns são testemunhos de uma época que o Brasil ficou livre da corja que assola os poderes e solapa os cofres públicos.

Na direção oposta dessas conversas, a mídia formadora de opinião tenta desconstruir a importância daquele período lançando minisséries, livros e outras formas de manobrar o público, especialmente as pessoas que, por um motivo ou outro, não sabem realmente o que foi o Brasil desse recente passado.


A degradação moral na qual mergulhou o país foi vislumbrada pelo último presidente do regime militar, General João Batista Figueiredo, quando, em um dos seus discursos, ele disse: "o mundo verá o que eles farão com tanta "democracia". Jogarão a nação num lamaçal de dimensões continentais, onde o povo afundará na corrupção, na roubalheira, na matança até que se instaure o caos social seguido de uma inevitável guerra civil. Chegado este momento, o povo clamará nas ruas pela democracia implantada por nós em 1964".

Realmente a nação brasileira está nesse lamaçal e, apesar da dimensão já ser continental, ele é muito maior.

Ainda não sabemos tudo da roubalheira e o seu real tamanho, pois os mistérios do BNDES e dos dois bancos estatais, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, permanecem intocados.

Quanto ao caos social, não é preciso ser um cientista para perceber que assim está a vida dos brasileiros nos mais diversos ambientes; não há uma declarada guerra civil, mas, com certeza, estamos, no mínimo, perto dela.  

Essa degradação moral acima referida não se limita à esfera federal. Estados e municípios também têm os seus desvios de conduta. 

É preciso que a equipe de Curitiba se multiplique e que outras equipes similares surjam e, com a mesma tenacidade, extirpem o câncer da corrupção e o mar de lama que a corja, no maior cinismo, zomba do povo com a negação ou com a alegação de que "não sabia".

Entretanto, é importante ressaltar, enquanto o país, estados ou municípios estiverem sob a égide de um sistema perverso, cruel, voraz, moroso e injusto como esse vigente, as portas para a corrupção estarão abertas.

Os tempos são outros e o contexto mundial mudou e, ao que parece, é difícil termos homens de ou da farda (leia-se: homens de honra) conduzindo os destinos do Brasil.
Para esses homens, independe o sistema no qual estão inseridos: a honra pessoal é o que vale. 

Assim sendo, não teremos Castelos, Costas, Médicis, Geisels ou Figueiredos, senão pelo voto e, através dessa metodologia, a realidade brasileira demonstra claramente as possibilidades e a nossa capacidade para escolher  os nossos governantes e legisladores.

O resultado disso é o que estamos colhendo.
  
O que hoje temos disponível, com raras exceções, são outros Vacaris, Cunhas, Neves, Lulas da Silva, Batistas, Torres, Delcídios, Paloccis, Odebrecht e Delubios espalhados por este vasto território, apenas esperando uma oportunidade para substituir aqueles alijados pela equipe de Curitiba e serem os novos donos dos cofres públicos.

Sem querer pregar o apocalipse e assim como o ex-presidente João Batista Figueiredo um dia previu a realidade moral atual do país, vejo um futuro sombrio para o nosso Brasil.

Torço para que a minha previsão esteja errada.      


Dejanir Braz Pereira da Silva
Coronel da Reserva da Polícia Militar do Espírito Santo
O PASSADO E O PRESENTE. QUAL SERÁ O FUTURO DO PAÍS?
 



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